Dizem por aí que avós são mães duas vezes.
Considerando que ser mãe já é algo tão poderoso, nem dá pra imaginar isso multiplicado por 2. E faz quase 5 anos que eu perdi 2 das minhas várias mães.
Ela faz - e como faz - falta. Pra ela, tudo se resolvia num provérbio, num pensamento, numa reflexão, num sorriso, num jeitinho que era tão dela que virou marca registrada. Mas acima de tudo, a marca registrada da minha avó foi a coragem. E que mãe não é corajosa?
Ela lutou por seus filhos, ela construiu a história de cada um ao mesmo tempo deixando-os conduzir a própria vida. Ela faz - e como faz - parte da vida de cada um que a conheceu. Ela os fez ter coragem, ela construiu neles sua luta, sua esperança, sua fé. Lembro do sorriso, lembro da batalha, e todo dia em alguma coisa pequena do meu cotidiano, eu lembro dela. Mesmo sem perceber.
Os pés cansados, os olhos cheios de histórias e de história, a vida toda num sorriso e numa expressão. Tudo se resumia ao rosto dela. Naquela expressão havia força, luz e experiência. De certo modo, a alegria dela cobria tudo de um jeito que não dava pra não notar. Ou se emocionar.
Amanhã seria o aniversário dela. Dia 13. Sem misticismos, o número já sugere algo (se sorte ou azar, não sei. mas lembra.). Ela me ensinou a crer, em misticismos, em sorte ou azar, em borboletas azuis - tudo isso com os dois pés muito bem fincados no chão. Aqueles pés cansados, mas que ainda tinham energia.
Ela me ensinou a luta, a coragem, a base e o chão. Nada que seja surpreendente, vindo de duas mães. Mas em cada um de nós que a conheceu e a adorou - porque era impossível não adorar - amanhã é um dia vazio e cheio.
Vazio porque a base já nãoé mais tão concreta. Cheio de significado, pensamentos, orações e - porque não? - uma borboleta azul.
2 comentários:
PERFEITO MA,só nos sabemos o quanto doi!
Ma estou impressionada como você esta escrevendo bem.Te amo tia Alda
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