23.9.13

cansaço


foi um corte rápido.

eu peguei a faca mais afiada que encontrei e cortei, do esterno até o quadril. o corte foi profundo e não vai cicatrizar. pude ouvir o sangue caindo, o cheiro metálico e o gosto de ferro. eu havia começado a morrer. pude ver antes de ouvir meu próprio coração querendo saltar do peito. ele queria poder te querer por inteiro mas naquele momento era imperativo apenas continuar batendo. no entanto as batidas eram cada vez mais fracas e espaçadas. sístole, diástole, sístole, diástole, sístole, diástole, pausa, sístole, pausa, diástole, pausa, sístole, pausa. tirei a faca do quadril, pousando minha mão que ainda a segurava na mesa de madeira ao meu lado. rapidamente (minha vista escurecia levemente agora), levantei a mão livre e tirei o coração da caixa torácica, erguendo novamente a outra mão com a faca, cortando com a ponta até atingir o endocárdio. uma dor aguda e me senti de repente fraca. soltando o coração ainda pulsante, preso por algumas artérias e deixando órfãs algumas veias, caí e fechei meus olhos, apreciando o escuro que me rodeava, imperador dos meus sentidos. 

acordei e o paraíso eram seus olhos.

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