8.10.13

 Eu passo por um grande alarmante, na verdade número de situações na minha vida em que eu queria que a comida durasse pra sempre. Quando eu estou com muita fome e nenhuma comida parece suficiente, quando estou entediada, quando apenas quero comer alguma coisa ou quando, por exemplo, estou acompanhada de pessoas que me inspiram. A comida prolonga o momento, e por mais que isso seja pensamento de gordo, é um pensamento real.
 Eu comi o mais devagar que eu pude porque estar ali com elas era simplesmente bom. A salada era boa também, claro, mas havia algo além da comida.
 Uma mineira e a outra potiguar. As duas, como eu, não são daqui, embora nós três tenhamos relações um tanto quanto diferentes com o Rio de Janeiro. Amor incondicional, amor adquirido e amor agregado. Três tipos, três intensidades, três jeitos de sentir a vida. Pela primeira vez em muito tempo, eu me senti em casa.
 Não em casa como as pessoas dizem se sentir. Não estava, afinal de contas, com familiares ou semi irmãos ou ninguém que pronunciasse as palavras do jeito que eu estou acostumada a ouvi-las. Não estava num lugar propriamente familiar ou num ambiente em que me sentisse especialmente bem. Não estava rodeada por pessoas conhecidas nem sentindo alguma sensação conhecida. Não estava debaixo do meu céu cinzento nem rodeada pelas placas de concreto que me são tão caras e me fazem tão ridiculamente bem. Não estava num lugar conhecido por mim.
 Nada era conhecido, mas tudo era familiar. O coração levemente solto, o riso despreocupado, a sintonia na conversa, os olhares cúmplices. O calor familiar no peito se instalou e permaneceu, mas eu sabia que duraria pouco porque sempre dura. Claro que não é como se não houvesse repetições ou como se a vida nunca mais fosse distribuir coisas boas. Mas com o tempo aprende-se a gostar dos pequenos momentos.

O estranho é que hoje o calor não passou. E eu ainda não queria que a comida tivesse acabado.

                 

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