21.9.11

Amplexo

 Fui e fiz. Gesto simples que mudaria tanto e que, eu sei, não teve importância pra você. 
 Em mim, porém, adormeceu a explicou por inteiro um sentimento desaconselhável. Não foi nada de mais, mas eu guardei cada detalhe. O seu olhar apreensivo, a voz fugidia, a expressão de quem segura o riso, a timidez oculta e a pressa de sair logo. Em si, foi rápido e sem emoção, havia medo. Sua voz, antes fugidia, agora ficava nostálgica enquanto você desparecia pela porta, me deixando ali. E eu entendi tudo.
 Tudo exceto minha atitude adolescente, mas a defesa apresentada pelo meu cérebro fez bastante sentido: Eu precisava. 
 Precisava respirar você pra alimentar ou matar esse desejo crescente e inflamável que chegava a queimar minha retina a cada olhar teu. Eu me via frágil no lago de nanquim que são teus olhos.
 Desejo, sim, gritante. pressa, urgência, agonia e luta pra esquecer o toque suave da pele de marfim, o olhar que furava a alma e chegava no fundo dos olhos. Me deixei  vencer pelo seu jeito austero e pela verdadeira paixão que você exala. Mas perguntei (só a mim mesma) se me era permitida a dúvida da reciprocidade. 
 Seu abraço me mostrou que não.

Assim sendo, me calo e espero. Obrigada pela lembrança. 

Um comentário:

Anônimo disse...

Sim, ainda lembro disso e ainda não entendo seus posts(pelo menos não como eu queria...) rs. alexandrefgomes17@hotmail.com. Quase um ano sem falar contigo, adiciona logo. Hmpf.