Ai.
Minha cabeça doía um pouco, como todos os dias costumava acontecer. Olhei pro retrato bastante velho e gasto da ruiva sorridente.
Bom dia, Lílian.
Sorri também, mais por hábito que por sentimento.
A verdade é que o sorriso dela ainda me fazia sonhar, às vezes.
O dia transcorreu normalmente pelas masmorras. O último dia de férias de uma escola e eu ainda me preparava para ser novamente o professor com cara de mau. Estava ficando pior nisso a cada ano, o que era bom. Mas ainda assim minha expressão fechada, tensa e vazia refletia tudo o que se passava dentro da minha cabeça.
Era mais confortável externar isso do que ser uma pessoa gentil. Afinal, nunca fui assim.
Me sentei para o jantar, começaram a falar comigo. Todos aqueles alunos, tão poucas mentes realmente aproveitáveis. Via tudo nos tons de cinza habituais quando começou a seleção para as casas. Desde que me tornei diretor da Sonserina não via mais graça em qualquer outro aluno das outras 3 casas, mas esse ano tínhamos uma celebridade entre nós. Harry Potter seria uma joia preciosa na casa do poder e da ambição.
Grifinória. Claro. Não pude deixar de sentir uma ponta de inveja de Minerva.
Mas ora ora ora, o que esse garoto de costas indo para a mesa vermelha e dourada tinha de tão especial? Sentou-se, inseguro como todos os outros. Era só mais um.
Quando ele olhou ao redor, no entanto... O que era aquilo? Olhei, muito intrigado, para o garoto Potter. Ele tem os olhos, os seus olhos, Lílian.
Ai.
Não é mais minha cabeça que me incomoda todos os dias de manhã e sim a incômoda e constante vontade de olhar para os olhos dela.
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